Flamengo: Indiciado no caso do incêndio no Ninho, Bandeira de Mello diz confiar que terá inocência provada

por guaranoticias

Atualizado às 14h02

O ex-presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, é um dos indiciados pela polícia nas investigações sobre possíveis culpados no incêndio que resultou na morte de dez meninos da base, dia 8 de fevereiro de 2019. Nesta sexta-feira, a polícia voltou a enviar ao inquérito ao Ministério Público, que havia pedido mais informações sobre o caso. Bandeira aguarda o desfecho e confia que será inocentado.

– Não houve novo indiciamento, algumas pessoas estão fazendo confusão. O relatório feito lá atrás pelo delegado anterior, que não está mais no cargo, não pode ser mexido, ninguém pode mudar o que estava lá, é parte integrante do processo. Foram acrescidos o que o delegado novo e outras partes pediram. Isso foi devolvido ao promotor para decidir sobre a denúncia. Houve a continuidade do processo.

O dirigente acredita que conseguirá provar sua inocência.

– O próprio relatório que descreve os motivos que eu estaria sendo indiciado apresenta algumas informações que hoje em dia já me permitem provar que não existe procedência no indiciamento. A minha inocência fica cabalmente provada – disse Bandeira.

O ex-mandatário justifica que, como ocupava o mais alto posto dentro do clube, não ficava sabendo de questões como as autos de interdição da Prefeitura. Segundo ele, isso ficava restrito ao setor operacional.

Em junho, foram indiciados Bandeira e outras sete pessoas, incluindo engenheiros do clube e da empresa “NHJ”, responsável pelos contêineres, além de um técnico de refrigeração. O fogo no alojamento no Ninho começou em um aparelho de ar condicionado.

A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro convocou Eduardo Bandeira de Mello para depoimento na CPI destinada a investigar incêndios, nesta sexta.

Confira a entrevista com Eduardo Bandeira de Mello:

O senhor foi indiciado por causa da mortes no Ninho. O que tem a dizer sobre esse indiciamento?

Achei injusto. O próprio relatório que descreve os motivos que eu estaria sendo indiciado apresenta algumas informações que hoje em dia já me permitem provar que não existe procedência no indiciamento. A minha inocência fica cabalmente provada. Tenho certeza e confiança de que todos os aspectos que citei serão analisados com profissionalismo e justiça. Confio plenamente na justiça.

Quantas vezes o senhor teve que dar depoimento? Foi chamado novamente?

Só dei um depoimento para o delegado responsável na época, e depois ninguém mais me chamou. Mas imagino que tudo esteja sendo tratado corretamente. O meu advogado é quem está em contato permanente com as autoridades. A verdade vai prevalecer. Confio na justiça.

A investigação apontou que pelo menos sete vezes o Flamengo foi noticiado num auto de interdição. O senhor teve conhecimento?

Não, não tive. Na presidência do clube você se dedica a coisas estratégicas, institucionais. Essas responsabilidades sobre licenças nunca chegam à presidência do clube. De qualquer maneira acho estranho que o CT do principal clube do país tenha ficado, entre aspas, interditado e ninguém saber disso. Ninguém dentro do Flamengo, nos altos escalões da Prefeitura e nem a imprensa. Seria um furo de reportagem. Acho que isso efetivamente não aconteceu.

Por que acredita que só depois tenha vindo à tona? A Prefeitura enviou documentos confirmando.

É um auto de interdição que foi lavrado, e claro que só fiquei sabendo depois disso tudo, em outubro de 2017. Posteriormente, sete autos de infração durante a minha administração. Outros 24, se não me engano, depois que eu já tinha saído. Isso provavelmente foi tratado em escalões inferiores do clube e nunca chegou a ninguém, como não houve efetiva interdição.

Considera que este assunto deveria ter chegado à direção?

Eu acho que efetivamente não houve a interdição. Tanto que o CT continuou aberto. O que está interditada é a Avenida Niemeyer, por exemplo, que ninguém pode entrar. O CT do Flamengo continuou aberto. Acho que a Prefeitura não consumou essa dita interdição. Por isso mesmo vocês (imprensa) não ficaram sabendo, nem eu nem ninguém da alta administração do Flamengo. Acredito que mesmo na Prefeitura esse assunto não subiu além do nível operacional.

O senhor teme por um novo indiciamento?

Não existe nenhum motivo para que isso aconteça, mas respeito profundamente o trabalho da Secretaria de Segurança, do MP, e temos que estar preparados para esclarecer cada vez mais tudo o que me for indagado.

Essa tragédia de alguma forma mancha sua gestão?

Acho que não, por tudo que já expliquei. A nossa gestão o que fez pela base foi proporcionar o melhor centro de treinamento que qualquer clube tem para a base. Fizemos dois centros de treinamento. O último CT foi inaugurado em novembro de 2018.

A perícia mostra que o ar condicionado deu problema, mas a fiação não era correta, a instalação era precária… O senhor acha que nesse caso há alguma responsabilidade?

Eu não tive conhecimento de nenhum detalhe sobre ar condicionado, filtro de piscina… nada operacional chegava até a alta administração do clube. Não estou falando apenas do presidente, mas também dos vices, dos dois CEOs que passaram pela minha administração e dos diretores mais graduados. O assunto fica nos níveis operacionais. Seria leviano eu dizer o que aconteceu. Está sendo objeto de investigação por pessoas que são competentes e bem intencionadas.

Como vê a forma com a qual a atual administração está lidando com esse assunto da tragédia, com as indenizações?

Como não estou mais lá, fico em uma situação difícil para analisar. Não sei exatamente como estão sendo feitas as negociações com as famílias além do que sai na imprensa. Eu tenho certeza de que o melhor para o Flamengo será um acordo, não só por questão de humanidade, solidariedade e respeito com as famílias, mas também para preservar a imagem do clube. Espero e torço que isso seja levado em consideração. Quem sabe não teremos uma surpresa agradável de ver isso tudo resolvido em um curto prazo?

Os indiciados:

Danilo da Silva Duarte, engenheiro da NHJ;

Edson Colman da Silva, técnico em refrigeração;

Eduardo Bandeira de Mello, ex-presidente do Flamengo;

Fábio Hilário da Silva, engenheiro da NHJ;

Luis Felipe Pondé, engenheiro do Flamengo;

Marcelo Sá, engenheiro do Flamengo;

Marcus Vinícius Medeiros, monitor do Flamengo;

Weslley Gimenes, engenheiro da NHJ.

Fonte: G1 – acesso 07/02/2020 – https://globoesporte.globo.com/futebol/times/flamengo/noticia/indiciado-no-caso-do-incendio-no-ninho-bandeira-de-mello-diz-confiar-que-tera-inocencia-provada.ghtml

Foto: Carlos Trinta

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