
Uso de cigarro eletrônico acende alerta para risco futuro de câncer de boca
por guaranoticias
Atualizado às 11h13
O uso de cigarros eletrônicos entre adolescentes e jovens adultos acende um alerta para o possível aumento futuro de casos de câncer de boca. Estudos experimentais indicam que o vapor do vape pode provocar alterações celulares e genéticas na mucosa oral, favorecendo processos inflamatórios, danos ao DNA e mudanças capazes de contribuir para o desenvolvimento de tumores ao longo do tempo. A preocupação dos especialistas está justamente no perfil dos usuários. Como o câncer costuma levar anos para se desenvolver, os efeitos do consumo atual entre os mais jovens podem aparecer apenas no futuro. A cirurgiã de cabeça e pescoço do Hospital São Marcelino Champagnat, Ana Gabriela Neis, explica que o cigarro eletrônico não deve ser visto como uma alternativa segura ao cigarro tradicional e alerta para a presença de compostos danosos nesses dispositivos.
O câncer de boca já está entre os tumores que mais crescem no país. Entre os fatores de risco conhecidos estão tabagismo, consumo de álcool, exposição solar nos lábios e infecção por HPV. Mesmo com a venda proibida no Brasil desde 2009, os cigarros eletrônicos continuam circulando por canais informais e pelas redes sociais, muitas vezes associados a sabores adocicados e à falsa ideia de menor risco. A médica destaca que a exposição prolongada à nicotina, aromatizantes, metais pesados e outras substâncias tóxicas pode gerar consequências crônicas para a saúde.
Em referência ao Dia Mundial de Conscientização e Combate ao Câncer de Cabeça e Pescoço, celebrado em 27 de julho, o alerta também vale para os sinais de atenção. Feridas na boca que não cicatrizam por mais de duas semanas, dor persistente para engolir, rouquidão por mais de 15 dias, caroços no pescoço e sangramentos sem causa aparente devem ser avaliados por um médico. A orientação é buscar atendimento o quanto antes, especialmente no caso de pessoas que fumam ou usam cigarros eletrônicos. O diagnóstico precoce aumenta as chances de sucesso do tratamento, permite abordagens menos invasivas e pode reduzir as sequelas para o paciente.
Fonte: AERP Paraná – repórter Flávia Consoli – acesso em 27/06/2026 – https://aerp.org.br/redeaerp/uso-de-cigarro-eletronico-acende-alerta-para-risco-futuro-de-cancer-de-boca/
Foto: ilustrativa – Paula Neves


