Vereadores de Guarapuava são condenados a prisão por esquema que furava fila do SUS

por guaranoticias

Atualizado às 16h26

Dois vereadores de Guarapuava e três de seus assessores e a ex-diretora do Consórcio Intermunicipal de Saúde de Guarapuava, Pinhão e Turvo (Cisgap) foram condenados criminalmente pela inserção de dados falsos no sistema de informática que gerenciava as filas de espera de consultas médicas do Sistema Único de Saúde (SUS). O objetivo, segundo entendeu a Justiça, foi favorecer determinados usuários.

Os condenados são: o vereador Celso Lara da Costa (9 anos de reclusão, regime inicial fechado), o vereador Marcio Luis Carneiro do Nascimento (5 anos e 3 meses de reclusão, regime inicial semiaberto), a ex-diretora do Cisgap, Marcia Andreia de Brito (18 anos de reclusão), e os assessores Amauri Opuchkevitch (4 anos e 4 meses de reclusão), Caroline Marcondes de Lima (5 anos de reclusão) e Emerson Roberto Wendler (5 anos e 20 dias de reclusão).

A sentença atende denúncia do Ministério Público do Paraná decorrente da Operação Fantasma II, investigação conduzida pelo MPPR por meio do núcleo de Guarapuava do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

Conforme a denúncia, também formulada pelo Gaeco, os vereadores e seus assessores, com participação e conhecimento da então diretora do Cisgap, usavam da influência decorrente dos cargos para favorecer usuários do SUS, que “furavam” a fila de espera de consultas de especialidades médicas, prejudicando assim os demais usuários.

A ex-diretora recebeu pena de 18 anos e 20 dias de reclusão, um dos vereadores foi condenado a 9 anos de reclusão em regime fechado, e o outro a 5 anos e 3 meses em regime inicial semiaberto. Os assessores foram condenados a penas variando entre 4 anos e 4 meses e 5 anos e 20 dias de reclusão e regime inicial semiaberto. Ainda cabe recurso da sentença de primeiro grau, proferida pelo Juízo da 2ª Vara Criminal da comarca.

Posição dos condenados

Procurados, alguns citados retornaram. Celso Costa disse que vai recorrer e que está com a consciência tranquila. Márcio Carneiro também afirmou que vai recorre. Ele desqualificou uma testemunha e disse que agiu para ajudar, não para praticar crimes. Carneiro enviou à Rádio Cultura um texto que foi publicado em sua página no Facebook.

A defesa de Amauri Opuchkevitch disse que não vai se manifestar.

A defesa de Emerson Roberto Wendler encaminhou a seguinte nota:

O advogado JOÃO DANIEL DE PAULA – OAB/PR nº. 58.996, representante dos réus JOÃO VILSON GUTUBIR e EMERSON ROBERTO WENDLER nos autos 0016204-49.2016.8.16.0031, informa:

Com relação ao Sr. EMERSON ROBERTO WENDLER, a defesa irá recorrer da decisão, visto que conforme as provas produzidas nos autos, especialmente os depoimentos testemunhais, o réu não praticou a conduta apontada.

Como o advogado representa outro réu, Vilson Gutibier, que foi absolvido, ele também falou sobre o caso dele.

O Sr. JOÃO VILSON GUTUBIR, foi ABSOLVIDO de todas as acusações a ele imputadas, a defesa esclarece que este não utilizou de nenhum meio ou pessoas para ter preferência em atendimento médico e muito menos para se beneficiar de antecipação cirúrgica.

A defesa de Caroline Marcondes de Lima vai consular a cliente e retornar a reportagem. Marcia Andreia de Brito foi procurada, mas não retornou.

Fonte: Central Cultura de Comunicação – acesso 29/04/2020 – http://centralcultura.com.br/?pag=noticias.php&id=65431#

Comentários