Crise do coronavírus derruba mercado de chocolates a poucos dias da Páscoa

por guaranoticias

Atualizado às 11h24

Entre as empresas que trabalham com o comércio de chocolates, a expectativa era grande para a Páscoa deste ano. Com a economia brasileira finalmente dando sinais de recuperação, a previsão era de uma Páscoa gorda, bem recheada. Mas aí veio a crise do coronavírus e o que era para ser uma época de lucro e fartura acabou se tornando um período de dificuldade e prejuízo. A Páscoa neste ano cai no dia 12 de abril.

Proprietário de duas lojas da Cacau Show, localizadas no Shopping Água Verde e na Rua Padre Anchieta, no Bigorrilho, Erlon Ribas esperava que esta fosse a melhor Páscoa dos últimos 10 anos. Selma Fuhrmann, da Fábrica de Chocolates Dfuhrmann, tinha expectativa de alta de 15% nas vendas relacionadas à data. Agora, já se prepara para uma perda de até 40%.

“A gente estava com uma boa expectativa e contratamos pessoas, porque a demanda é muito grande na Páscoa. Mas, com toda essa situação, tivemos de dispensar pessoas, nos reinventar, literalmente”, diz Ribas. “Tivemos que nos adaptar muito rápido e em um momento em que as máquinas deveriam estar funcionando a todo vapor. Equipe de produção e embalagem entraram em férias coletivas. 80% da mercadoria de Páscoa está pronta, tudo certo para entrar nas lojas”, complementa Fuhrmann.

Na Casa da Bruxa do ParkShopping Barigui, Scheila Costa conta que havia reformado toda a loja já pensando na Páscoa. A reinauguração aconteceu no dia 6 de março, mas no dia 19 ela foi obrigada a fechar as portas, assim como todas as lojas do shopping. Acontece que nisso ela acabou investindo o capital de giro que tinha disponível.

“A expectativa era imensa e agora vamos perder essa data de Páscoa. Além de impactar pela loja estar fechada, ainda tivemos de fechar num período ruim. Vai ter gente quebrando, vai ter muita coisa ruim vindo”, lamenta a empresária.

Aposta é no delivery
A palavra da vez entre os empresários do setor é ‘reinventar’. Acostumados a atender os clientes em suas lojas, acabaram se vendo obrigados a migrar para o delivery e tiveram de reforçar também as campanhas em mídias sociais para alcançar mais clientes e conseguir, pelo menos, minorar os impactos da crise provocada pelo coronavírus.

Na Cacau Show, por exemplo, Erlon Ribas explica que suas lojas estão fazendo entregas gratuitas para pedidos via WhatsApp no caso de compras acima de R$ 30,00. “Temos percebido, depois que passar isso aí, vamos ter de nos adaptar, porque isso vai ser uma constância, o pessoal vai mudar o formato do mercado”, diz o empresário.

Na Casa da Bruxa do ParkShopping Barigui, Scheila Costa está seguindo a mesma linha e ainda montou um sistema de drive-thru em sua própria casa para entregar os pedidos aos clientes. “Agora vai ser assim: delivery ou busca o produto no QG [quartel-general] que estamos montando na minha residência”, afirma Costa, contando ainda que já está fazendo o cadastro de sua empresa em plataformas como iFood e Rappi. “Vai ser uma tendência por um bom tempo ainda, vai ficar um resquício dessa crise. Essa cultura do delivery, que era para fazer um lanche, uma alimentação, vai passar para tudo.”

Por fim, Selma Fuhrmann comenta que o volume de pedidos para entrega começaram a aumentar no final de semana. Há 30 anos trabalhando com chocolate e há 10 com sua própria fábrica, ela ainda tem esperanças de que a Páscoa possa surpreender. “A Páscoa sempre nos surpreende. Trabalho com chocolate há 30 anos e todo ano a Páscoa nos surpreende. Partimos do princípio que, na dificuldade, umas portas se fecham, mas outras se abrem. Agora vem a criatividade. A segurança, a qualidade, já passávamos muito pro nosso cliente.”

Famílias ficarão mais distantes na comemoração

Tradicionalmente, no dia de Páscoa as famílias se reúnem, comem juntas, trocam presentes, enfim, confraternizam. Neste ano, porém, a tendência é que seja tudo diferente. Selma Fuhrmann, por exemplo, conta que muitos de seus clientes são avós, que nessa época do ano gostam de fazer brincadeiras com os netos, escondendo ovos de Páscoa para que os pequenos acreditem que o coelhinho passou por lá deixar o presente.

“Agora estão procurando outras formas, como deixar pronto [o presente] na caixinha do correio para o filho passar e levar para os netos. Vemos um sentimento de cooperação, de entendimento, de cuidado, mas também de tristeza, porque é um momento que a família participava junto. Estão tendo de se adaptar, manter a tradição, mas cada um na sua casa”, diz a empresária.

Camila Salomon, proprietária do Miss Brigadeiro Atelier, comenta também que costumava fazer nessa época do ano lembrancinhas para que os alunos presenteassem seus professores. “Esse ano não tive nenhuma venda para professor. Com as escolas paradas, professores não vão ganhar esse ano”, conta ela. “Meus clientes estão encomendando de mim e passam o endereço da pessoa que querem presentear. Vô, vó, é a mesma coisa. Passam o endereço e eu que faço a entrega com o motoboy”.

 

 

 

Comércio se preparou para uma grande Páscoa em 2020, mas agora só pensa em reduzir perdas (Foto: Franklin de Freitas)

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